Interrupções Lectivas - Normas

Publicado em Escolas / JI

Componente de Animação Socioeducativa

(CASE)

CASE

 

As Intenções Pedagógicas

2010/2011

 NOTA PRÉVIA

 

«Deixa-a ser. Ajuda-a a ser. Sê com ela. Porque...o que és tu senão essa criança, essa eterna criança eternamente acabadinha de chegar à eterna aventura da vida? Não te limites a deixá-la ser. Sê com ela, que ela serás tu. E aí teremos o mundo a ser governado pelas crianças.»

(Agostinho da Silva, cit. por Eduardo Sá, 2007)

 

 

A Animação Socioeducativa é uma componente lúdica, de tempo livre, informal e não formal.

Neste tempo, criamos espaços lúdicos, educativos, criativos, culturais e que privilegiem a participação, a livre expressão, a autonomia, facilitando as relações interpessoais e intergrupais.

Habitamos espaços ecléticos, que transbordam de bem-estar, segurança, prazer, encontro, aconchego, envolvência, convivendo com pessoas nesse e desse lugar, de forma a dar sentido para sentir a vida. Lugares onde se passeia, comunica, partilha, descobre, constrói, se movimenta, se vive, propiciando a descoberta e a afirmação de uma relação individual com o mundo.

organização e a estética dos Espaços são determinantes na nossa dinâmica. Oferecemos às crianças, espaços abertos, arejados e muito claros, com “pinceladas de cores”; Espaços que contêm uma variedade de materiais, expostos e organizados de uma forma articulada. São materiais ricos e de preferência, relacionados com a cultura e a vida familiar das crianças, por exemplo, fotografias de família, as comidas regionais, registos sobre os fins-de-semana, a vida em família e as/os lembranças/objectos pessoais de casa.

No fundo, animar os Espaços com símbolos da vida em família, que “cheirem a casa” e considerando as experiências culturais e sócio económicas tão diversas das crianças.

Desejamos que os pais sejam participantes e que os Espaços também vão ao seu encontro, que o sintam como deles e que também, tenham voz na organização do ambiente.

Pensamos que o espaço deve ser uma espécie de “aquário” que espelhe sonhos, ideias, valores, atitudes e a cultura das pessoas que vivem nele (Malaguzzi, 1974).

Valorizamos o tempo para a criança brincar, para jogar, escolher, para explorar a criatividade através das expressões (plástica, dramática, dança…) e tempo para não fazer nada, se for essa a sua escolha.

Privilegiamos o espaço de criação e descoberta devido ao seu poder de organizar, de promover relacionamentos agradáveis entre pessoas de diferentes idades, de criar um ambiente atraente, de oferecer mudanças, de promover escolhas, actividades, projectos, para assim potenciarmos a aprendizagem social, afectiva e cognitiva.

Assim, contribuímos para uma sensação de bem-estar, segurança e alegria nas crianças.

Estimulamos o conhecimento e a educação como uma aprendizagem ao longo da vida, sempre numa atitude criativa de desafio (pedagogia criativa).

Tentamos que cada dia seja diferente, um “acordar de novo”, criando oportunidades para que as crianças se preparem para descobrir o prazer do saber ser, do saber estar e saber fazer. Queremos que as nossas crianças e as suas famílias sintam que “há dias que deviam durar para sempre” (Martins, Isabel; Carvalho, Bernardo, 2004).

A organização do espaço e a gestão do tempo serão sempre em função das crianças, das suas necessidades e das suas escolhas, respirando afectos, alegria e vivacidade; proporcionando formas de estar soltas e permeáveis à intimidade e à interacção.

Que o tempo vivido na CASE não seja uma duplicação de experiências. Mas sim, um tempo e um espaço baseados em ouvir as crianças e em observar o seu trabalho, guiando -nos constantemente, pelas nossas observações das crianças. Pois, estamos a trabalhar com uma grande variedade de contextos e de papéis, os quais, incluem as educadoras, as auxiliares, em alguns casos, a Escola 1º. Ciclo, os Agrupamentos, as equipas da CASE, a coordenadora geral, a própria Junta de Freguesia de Alcabideche enquanto, estrutura e os estagiários que vão estando connosco.

Todas estas pessoas e instituições, oferecem um sentido de comunidade entre nós, através da qual podemos falar sobre as nossas ideias em desenvolvimento. Esta comunidade é essencial para o nosso crescimento individual e em grupo.

As visitas/passeios reforçam e intensificam a importância da nossa interacção e comunicação contínuas.

Na verdade, o conhecimento não provém só dos objectos, ou só das crianças, mas sim das interacções entre as crianças e os objectos (Piaget).

equipa, com saberes específicos e multidisciplinares, garante um bom funcionamento e um trabalho de qualidade com as crianças no seu contexto Familiar e

Escolar; também proporciona, um trabalho pedagógico direccionado não só para o grupo, mas abrangendo ainda a comunidade, desafiando, exigindo e questionando.

acção pedagógica é diversificada e inovadora, constrói-se permanentemente, com pertinência e movimento, orientada por um conjunto de princípios, tendo sempre presente a reflexão em conjunto com os vários parceiros, Agrupamento de Escolas, Câmara Municipal de Cascais, Juntas de Freguesia, Associações e todos os intervenientes que querem levar a bom porto esta dinâmica.

 

ESPAÇO DE CASE

Como

Procuramos oferecer actividades/momentos que nos permitam mergulhar no mundo imaginário e fantástico de surpresas e suspense. O prazer, a inovação e a experimentação serão nossa preocupação. Pretendemos colocar as crianças em situações de aprendizagem, de confronto, através da música, do movimento do corpo, da dramatização, da ciência, da diversidade de materiais, da boa disposição e envolvência de uma equipa, sempre presente e atenta em despertar a curiosidade e os cinco sentidos.

 

Através do trabalho em projecto (metodologia)

 

“A pedagogia de projecto pretende cultivar e desenvolver a vida inteligente da criança, enquanto activação dos saberes e das competências, das sensibilidades estética, emocional e moral (…) dirige-se à mente total e ampla da criança, à medida que ela tenta encontrar sentido para as suas experiências (…) aumentar a sua consciência de fenómenos significativos à sua volta”.

(Katz e Chard, 1989, p:3,7)

 

 

Define-se por serem estudos em profundidade sobre determinados temas, realizados por pequenos grupos de crianças. Tem por objectivo ajudar as crianças a extrair um sentido mais profundo e completo de eventos e fenómenos do seu próprio ambiente e de experiências que mereçam a sua atenção.

As crianças são encorajadas a tomarem as suas próprias decisões e a fazerem as suas próprias escolhas, geralmente em cooperação com os seus colegas, sobre o trabalho a ser realizado.

Presumimos que este tipo de trabalho aumenta a confiança das crianças nas suas capacidades e reforça a sua disposição de continuar a aprender.

Assim, a pedagogia de projecto pressupõe uma visão da criança como ser competente e capaz, como investigador, motivado para a pesquisa e para a resolução de problemas. Uma filosofia de projecto apresenta subjacente, portanto, um profundo respeito pela criança. Pressupõe uma criança que possa ser cada vez mais autónoma e capaz de gerir o seu próprio processo de aprendizagem.

Encaramos cada criança como um elemento de um grupo, como parte de uma vida comunitária, com as suas regras de funcionamento e negociações, de formas diferentes, as crianças vão fazendo propostas e vão participando. E, todo o trabalho pedagógico está centrado na criança, no adulto e no contexto, integrando a criança, na sua rede de interacções, as quais incluem a família e a restante comunidade.

Também encorajamos a criatividade através de diferentes experiências que dêem às crianças a oportunidade de brincarem com as suas ideias e de se desenvolverem como um todo. Criar, implica… descobrir, explorar, reflectir, relacionar, expressar… ganhar novos conhecimentos. Pois, «as experiências criativas e imaginativas dão-nos a oportunidade de: melhorar a nossa capacidade de pensar, agir e comunicar; alimentar os nossos sentimentos e sensibilidades; aumentar as nossas capacidades físicas e perceptivas; explorar valores; compreender a nossa cultura e a de outros povos; desenvolver o potencial humano em toda a sua extensão…» (Calouste Gulbenkian, 1982, citada por Duffy, 2005)

A Planificação

planificação pode ser ou não delineada por ano lectivo, como o Plano de Actividades dos Jardins-de-Infância, que surgem dos Projectos Educativos dos Agrupamentos. Procuramos estar a par e passo do trabalho que vai sendo desenvolvido no tempo curricular (nas reuniões mensais e diariamente, trocamos informações) e temos em atenção os temas centrais no desenvolvimento das nossas actividades. As actividades no período da CASE, acontecem a partir de conversas e brincadeiras do nosso dia-a-dia, que procuramos conduzir em direcção dos temas propostos, mas também com espaço e tempo para que ocorram novas descobertas, novas experiências, novas sugestões, num tempo que se entende como menos estruturado e mais flexível. Por este motivo, a planificação é mensal, com conhecimento das educadoras, de forma a ser continuada e coerente, cruza diferentes áreas previamente estabelecidas pela equipa e está sujeita a alterações inerentes aos imprevistos do dia-a-dia.

Realizamos as/os actividades/projectos que cruzem o Plano de Actividades do Jardim-de-Infância, planeadas mensalmente com a educadora, numa perspectiva de parceria e, de modo, a serem complementares e não repetitivas, que integrem as grandes temáticas escolhidas para serem trabalhadas durante o ano lectivo. Em parceria e trimestralmente, avaliamos o trabalho pedagógico desenvolvido.

TRABALHO PEDAGÓGICO

A experiência de Reggio Emília (1999), demonstra que as crianças em idade pré-escolar podem usar muitos meios gráficos para comunicar as informações adquiridas e as ideias exploradas no trabalho em projecto. As crianças registam as suas ideias, observações, recordações, sentimentos, por meio de uma linguagem gráfica (representações visuais); os desenhos são “lidos” pelos próprios e pelas outras crianças.

As próprias paredes do espaço falam e documentam, estas são usadas para exposições temporárias e permanentes de tudo o que as crianças e os adultos trazem à vida (Loris Malaguzzi). Nas quais, podem surgir questões como por exemplo, “o que é um artista?”, “Como é que eles são?”, “O que é que eles faziam?”, “O que são as fadas?”, “Como é que se vestiam?”, entre outras.

Neste sentido, valorizamos o espaço de criação e descoberta devido ao seu poder de organizar, de promover relacionamentos agradáveis entre pessoas de diferentes idades, de criar um ambiente atraente, de oferecer mudanças, de promover escolhas, actividades e projectos. Como forma de potenciarmos a aprendizagem com este carácter tridimensional, social, afectiva e cognitiva. Tentamos proporcionar a cada criança um espaço individual e devidamente identificado, que elas sintam como um «Espaço especial para pormos as coisas que achamos especiais. Como desenhos importantes, fotografias.» ou também onde «Colocamos os trabalhos importantes, que fazemos com materiais diferentes. Para o placar ficar mais bonito e os meus amigos verem os meus desenhos» (Criança do Jardim de Infância de Bicesse).

Criarmos um caderno individual no qual, as crianças poderão registar as acções do dia-a-dia, para não ficarem perdidas no tempo ou no pensamento, uma espécie de diário de bordo, numa viagem ao sabor da descoberta e dos interesses de cada um. Este caderno, tem ainda como finalidade envolver a família, podendo ir a casa durante o fim-de-semana, com propostas lançadas por nós ou simplesmente como forma de partilharmos em grande grupo trabalhos diversos, realizados no contexto familiar, como textos, rimas, adivinhas, provérbios, pesquisas, desenhos, receitas, etc.

construção das regras surge no início do ano lectivo para um fluído funcionamento e são pensadas, discutidas e expostas com as crianças, envolvendo-as num ambiente de bem- estar e de partilha de forma, a gerirem os seus conflitos, as suas frustrações e as suas emoções.

As tarefas são construídas e distribuídas semanalmente com as crianças, cujo objectivo é responsabilizar e envolver as crianças na dinâmica do espaço.

diário tem como principal objectivo registar o que acontece de mais importante ou relevante em período de CASE, de forma a ser partilhado com as famílias e valorizando as crianças, as suas conquistas e saberes.

avaliação/auto avaliação reflectimos diariamente sobre os nossos comportamentos e atitudes, se cumprimos as regras, se respeitamos os outros, se cuidamos do espaço e dos materiais, porquê é que escolhemos determinada actividade ou projecto, os materiais que usamos, o que fizemos e se gostamos fazer.

Acreditamos que as actividades/projectos realizados com as crianças pequenas garantem uma coerência e uma continuidade do trabalho realizado. Estas duas abordagens deverão ter intenções e orientações por parte dos animadores sempre em articulação com os vários parceiros. Sendo assim, todo o trabalho de projecto deverá ser o mais flexível possível, em constante avaliação e/ou reformulação, verificando as metodologias, criando instrumentos de trabalho, fazendo uma planificação detalhada das actividades, abordando a aprendizagem como um desafio e sentindo a educação não como uma preparação para a vida, mas a própria vida.

Trabalho com a família, a comunicação, a participação, o envolvimento e a responsabilização das famílias, é nossa preocupação. As famílias são desafiadas a participar neste processo educativo, mantendo as portas abertas aos pais para que deixem de ser meros espectadores e possam participar e envolver-se num ambiente informal, descontraído e calmo. Queremos que as famílias sejam intervenientes activos, quer através de projectos, quer através de desafios lançados por nós, quer o inverso. Por outro lado, a equipa também demonstra disponibilidade de tempo e recursos, caso alguma das crianças ou algum dos pais necessite de um maior apoio.

Porquê?

Em constante procura, queremos ir ao encontro de uma comunidade que se sente cada vez mais participativa e ouvida. Procuramos assim estabelecer uma boa comunicação, o que constitui uma das características basilares no real envolvimento da vida em comunidade (Antunez, 2000). Por outro lado, ao defendermos um espaço com uma intervenção mais consistente e alargada, num contexto lúdico, educativo e cultural, pretendemos oferecer de forma informal, outras oportunidades, outros desafios e saberes, dando a possibilidade de escutar as famílias/crianças, tornando-as mais activas e potenciando os seus saberes e as suas escolhas.

É nossa preocupação perceber o grau de satisfação motivação das crianças, tentando potenciar o que há em cada uma delas e respeitando as suas necessidades e interesses.

 

Reflexão/Avaliação

“Tem muitas coisas escritas no meu portfólio! A professora escreve sempre o que eu digo (…) gosto que ela me pergunte coisas, se gostei, se não gostei, porque escolhi, se foi difícil, como fiz.

Gosto que ela me pergunte essas coisas dos meus trabalhos e

é por isso que tem muitas coisas escritas porque nós conversamos.

Gosto muito (…)”

 

(João, cit. por Azevedo, A.; Oliveira-Formosinho, J.; 2008)

 

Avaliamos através de:

  • Reuniões pedagógicas, semanais (animadores e animadores/coordenadora), espaço onde conversamos sobre o desenvolvimento/evolução das crianças, comentários que têm entre elas ou connosco, as nossas próprias intenções, aquisições e algumas dificuldades do dia-a-dia, sobre o próprio quotidiano/sociedade, as notícias que ouvimos, os diferentes suportes escritos que consultamos à procura de ideias, novos desafios que, que cativem crianças e adultos.
  • Reuniões com os pais, que são momentos privilegiados para clarificar dúvidas, para demonstrar empatia e abertura perante as ansiedades parentais e para enfatizar o seu importante papel como modelos de referência para os filhos.
  • Encontro com os pais, que são momentos em que partilhamos os nossos conhecimentos, saberes; em que as crianças expressam e comunicam algo – uma dramatização, um reportório de canções, pintura de um poema, uma exposição, uma festa…
  • Notas de campo (registos)
  • Registos fotográficos
  • Questionários (famílias e crianças)
  • Escolha da frequência em tempo de CASE
  • Mapa de assiduidade
  • Portfólios – a avaliação baseada através deste instrumento pode e deve concentrar a atenção de todos (das crianças, dos educadores, professores, animadores e dos familiares), como ferramenta essencial no processo educativo. Esta dinâmica pode estimular a discussão, a suposição, o questionamento, a análise e a reflexão. Os adultos podem descobrir os tópicos e as questões que estimulam e que motivam as crianças a investigarem e a experimentarem.

Assim, as crianças criam um sentido para as suas aprendizagens e partilham isso com os outros, revendo as suas ideias, as suas interacções e as suas emoções, sendo intervenientes da sua aprendizagem.

Segundo Bourdieu (1997), os portfólios revelam que as crianças concebem a aprendizagem como um acto que se constrói ao longo da vida e se tece na conexão entre o ontem, o hoje e o amanhã. Sendo um processo que cria habitus para aprender ou seja, cria nas crianças a disponibilidade para aprender.

  • Em parceria, mensal (com as educadoras) e trimestralmente (com a Vice Presidente do Pré Escolar, com as Educadoras e com a Representante da DASE), avaliamos o trabalho pedagógico desenvolvido.
  • Acompanhamento por parte da coordenadora geral da Junta de Freguesia de Alcabideche à equipa de animadores em parceria com as educadoras/coordenadora dos Jardins-de-Infância (supervisão pedagógica).

 

Encaramos cada criança como um elemento de um grupo, como parte de uma vida comunitária, com as suas regras de funcionamento e negociações, de formas diferentes, as crianças vão fazendo propostas e vão participando. E, todo o trabalho pedagógico está centrado na criança, no adulto e no contexto, integrando-a na sua rede de interacções, as quais incluem a família e a restante comunidade.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Read, Herbert. “A Educação pela Arte”. Martins Fontes, 2001.

Formosinho-Oliveira, Júlia. “A Escola Vista pelas Crianças”. Porto Editora, 2008.

Weikart P. David. Hohmann, Mary. “Educar a Criança”. Fundação Calouste Gulbenkian, 1997.

Santos, João. “Vida, Pensamento e Obra de João dos Santos”. Livros Horizonte, 2000.

Shores, Elizabeth. Grace, Cathy. “Manual de Portfólio”. Artmed, 2008.

Cortesão, Luiza. Leite, Carlinda. Pacheco, A. José. “Trabalhar por Projectos em Educação – Uma inovação interessante? Porto Editora, 2002

Forman, G. Gandini, Lella. Edwards, Carolyn. “As Cem Linguagens da Criança”. Artmed, 1999.

Carvalho, Bernardo. Martins, Isabel. “Um Livro para Todos os Dias”. Planeta Tangerina, 2004.