AEC / CAF e AAAF - Caracterização

Publicado em Escolas / JI

25 de Abril

"Tudo quanto diz respeito à vida

Não se ensina…

Só pintando se pode pintar…

Só desenhando se aprende a desenhar…

Só vivendo

Se aprende a viver…"

(João dos Santos, adaptado pela Divisão de Educação)

 

"Deixem as crianças Sonhar! (…)

Deixem-nas fabricar os sonhos

O sonho é o que persiste por toda a vida

Como forma mágica de pensar".

(João dos Santos, 2000, p:243)

 

Pensamos que…

A Escola a tempo inteiro… o alargamento dos horários escolares, mais horas na escola… menos tempo livre para brincar.

A escola enquanto instituição, estimula a inteligência e mantém a pessoa da criança em contacto permanente com a fantasia.

Como defende Eduardo Sá, a escola não é uma ilha, está inserida numa comunidade… na sociedade. A escola tem que ser uma sala de estar, um sítio onde as crianças possam ficar um bocadinho desarrumadas; um local onde aprendam livre e democraticamente a pensar. É também, um espaço de cultura. Sendo a cultura, a maneira de nos relacionarmos com os outros e a forma de partilharmos o património do conhecimento acumulado pela comunidade (Santos, João, 2000, p:137)

Por outro lado, João dos Santos defende que a criança deve ir à escola para encontrar alegria e para aprender algo que a satisfaça. E andar na escola é uma expressão muito adequada para explicar "que andávamos por lá à procura de uns recantos, nos corredores, na escada e na (casinha), onde a nossa imaginação florescesse, ou andávamos a fazer jogo dramático sem sabermos. Era bom, era só bom". (Daniel Sampaio, In Prefácio da obra, p:17)

Daniel Sampaio (1996) acrescenta que a Escola deve fornecer ao aluno espaços de convívio no qual, ele possa crescer livremente, e onde tenha liberdade para estar com ele próprio, sem qualquer controlo.

Segundo Boutinet (1992), em educação há três tipos de projecto, um diz respeito ao projecto educativo/transeducativo que define o campo das finalidades da acção, à definição de uma orientação; outro projecto pedagógico que contextualiza a prática numa relação pedagógica regulada, dialogante, é de facto, o currículo real; por fim, o projecto afectivo que gera um clima de entusiasmo, não só relativamente, às metas a atingir como ainda à experimentação, resultante do envolvimento e desenvolvimento do actor - aluno, ao longo de todo o processo. Sendo assim, valoriza-se o aprender e o olhar do actor.

No entanto, este projecto - Actividades de Enriquecimento Curricular, significa para nós, actividades/projectos que se constituem em horário extracurricular e tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento integral da criança.

De certa forma, contribuem para criar espaços dentro da Escola com maior abertura numa linguagem mais informal e interdisciplinar, aglutinando determinadas vivências e aprendizagens e provocando novos saberes. Contemplando diferentes domínios da ludicidade e da criatividade, abordando diferentes linguagens lúdicas, criativas, promovendo a gestão do tempo, dos materiais e do espaço, contribuindo assim, para o desenvolvimento educativo, cultural e social. Partindo sempre do princípio de que as pessoas têm um potencial humano ilimitado, pelo que é sempre necessário que aprendamos a sua cultura e o seu percurso existencial (cit. Ornelas, 1999, p: 2)

E, sabendo que a riqueza de um currículo transformativo é reconhecida através da valorização do diálogo, na assimilação de novos saberes, assimilação sem "aderência rígida às estruturas disciplinares". (Vilhena, T., 2000, p:126). É nossa intenção, desenvolver projectos que estimulem a participação, a possibilidade de escolha, a livre expressão e a autonomia. Valorizamos o conhecimento, a educação como uma aprendizagem ao longo da vida e estimulamos uma atitude criativa de desafio (pedagogia criativa).

Sintetizando, segundo Walsh (1994), educar "é uma arte e são muitas as competências que convergem nesta arte, tal como são as competências que convergem no artista, as decisões imperiosas sobre quando e como combinar essas competências. Os conhecimentos necessários para o fazer não são apenas uma competência técnica. Podem ser, sem dúvida, adquiridos, mas são também algo que provém das crenças mais profundas de cada um de nós e da nossa paixão pelas crianças e pelo mundo".

Unidos na Aprendizagem

Valorizamos…

O tempo para a criança brincar, para jogar, escolher, para explorar a criatividade através das expressões (plástica, dramática, musical, dança…); pois, o brincar é uma actividade diária, permanente, é o aparelho digestivo do pensamento (Eduardo Sá, 2006) ou seja, quanto mais as crianças brincam, mais aprendem, mais se libertam.

A criança pensa através do brincar, pensa em fadas e acredita nas fadas (Fernando Pessoa).

Segundo João dos Santos, a educação deve estimular todas as capacidades potenciais existentes na criança, desenvolvendo competências que lhe permitam a escolha da actividade que mais lhe convenha. O homem deveria ser educado para se tornar o que é ou seja, cada indivíduo nasce com certas potencialidades; por outro lado, ele deveria de ser educado para se tornar o que não é pois quaisquer que sejam as idiossincrasias exibidas pelo indivíduo desde o nascimento, é dever do professor erradicá-las, a menos que estejam em conformidade com um certo ideal de carácter determinado pelas tradições da sociedade (Read Herbert, 2003,p:2).

A manipulação e experiência com os materiais, "com as formas e com as cores permitem que a partir de descobertas sensoriais, as crianças desenvolvam formas pessoais de expressar o seu mundo interior e de representar a realidade.

A exploração livre dos meios de expressão gráfica e plástica não só contribui para despertar a imaginação e a criatividade das crianças como lhes possibilita o desenvolvimento da destreza manual e a descoberta progressiva de volumes e superfícies. A possibilidade de a criança se exprimir de forma pessoal e o prazer que manifesta nas múltiplas experiências que vai realizando, são mais importantes do que as apreciações feitas segundo moldes estereotipados ou de representação realista" (In Organização Curricular e Programas 1º. Ciclo 24º. Edição, Ministério da Educação Departamento da Educação Básica).

Acreditamos que…

A criança descobre, inventa, monta, desmonta… constrói brincando, cria obra artisticamente válida, para ela e para a comunidade.

Através do princípio orientador - o Direito à Brincadeira pressupõe que a criança é o centro de todas as aprendizagens dinamizando actividades quer individuais quer em pequeno/grande grupo e entre pares.

O outro princípio orientador, é a Educação pela Arte, tendo como desafio: o desenvolvimento das capacidades de expressão e criação, da imaginação criativa, da comunicação, enquanto processo de descoberta e aprendizagem lúdica e enriquecimento curricular e pessoal, através das diversas formas de expressão estética, possibilitando à criança, confiança, diferentes abordagens culturais e acesso ao património artístico.

Estes dois princípios servem de suporte na implementação e desenvolvimento deste Projecto de Actividades de Enriquecimento Curricular. Serão sempre as nossas referências, a nossa inspiração a nossa metodologia de acção no desenvolvimento destas Actividades.

Pretendemos sensibilizar para a Educação Estética sendo esta pluridimensional e plurisensorial; usando diferentes meios de expressão e linguagens com próprias "gramáticas", levando à descoberta, ao conhecimento, a criar, pelo desejo de saber e com a intenção de desbloquear, pois será uma forma de não criar barreiras à expressão.

Sintetizando, " o artista deve ver tudo como se estivesse a ver pela primeira vez. É preciso ser-se capaz de ver pela vida fora como quando em criança víamos o mundo, pois a perda desta capacidade de ver significa, simultaneamente, a perda de toda a expressão original" (Matisse).

O que se espera dos adultos…

"Fui uma criança feliz. Conheci desde o princípio o outro lado da Escola!" (Patrício, 1994.

Espera-se que os adultos criem condições para o desenvolvimento global e harmonioso da personalidade de cada criança, descobrindo progressivamente interesses, capacidades, domínio de saberes, proporcionando a formação pessoal e social. Que desenvolvam valores, atitudes e práticas que contribuam para a formação de actores activos, participativos, conscientes numa sociedade democrática em que a cidadania por vezes está muito ausente do dia-a-dia das crianças.

Adultos ou actores que acolham as crianças como desiguais, respeitando as suas diferenças culturais e individuais. E, que se envolvam no processo educativo com uma atitude constante e pertinente, levando as crianças a desenvolverem um percurso de sensibilização à preservação do património cultural, ambiental e artístico, provocando situações que as levam à descoberta e reeducação dos sentidos - ver, ouvir, tactear, cheirar, dialogar, … percorrendo lugares dentro e fora do Espaço (Do Outro Lado da Escola 1 e 2): a rua, o passeio, os transportes, o movimento, as casas, as lojas, os cafés, os correios, o jardim, as pessoas, os animais (cão, gato, pássaros), as plantas, as flores, as árvores - as suas cores, formas, tamanhos, as colocações, as colecções e as texturas.

Assim, que os adultos se possam sentir mais motivados e gratificados. Que tenham como intenções pedagógicas: caminho, percurso, viagem, transformação, todos, actores, criativo, emergente, saber, conhecimento, interacção, escuta, projecto transmitido, aprendido, partilhado, em que se valoriza a dimensão interactiva do diálogo, da experiência, da cooperação e da partilha tornada possível através da convergência entre o curricular e o não curricular.

Juntos descobriremos os lugares, as coisas e as pessoas desses lugares onde vivemos e sonhamos; lugares de pertença que promovam a capacidade de: despertar, provocar, questionar, envolver; ter vontade de participar quando a preguiça, a indiferença, a desmobilização começa a invadir o quotidiano (educar para a cidadania).

Criar Espaços…

Criar espaços ecléticos que transbordem bem-estar, segurança, alegria, prazer, encontro, aconchego, partilha, convivência com pessoas nesse e desse lugar, de forma a dar sentido às diversas aprendizagens, valorizando todas as conquistas.

Lugares onde se passeia, comunica, descobre, constrói, se movimenta, se vive, propiciando a descoberta, o questionamento e a afirmação de uma relação individual com o mundo. Tentamos despertar e libertar emoções; "treinar" o olhar para novas formas; transpor pata além das evidências; valorizar a experimentalidade, o aparentemente impossível; desestabilizar a permanência no estabelecido; antever; realçar o feio/o belo; provocar deslumbramentos e inquietação e compreender que as expressões/arte são as reconstruções das realidades vividas e sonhadas.

Apesar de, o período das AEC ser de grande rotatividade das crianças e, em que todos, adultos e crianças têm de gerir tempos e espaços de vivências não nos podemos esquecer que estes espaços deverão ser lugares investidos de afectos, "lugares de estar consigo mesmo", diferenciados mas cúmplices pois, "o que dá qualidade à vida é amar, ser-se amado, acompanhar e estar acompanhado (por dentro e por fora). É viver e ter-se uma opinião acerca do que se vive. É perguntar porquê, e sentir que não há perguntas que não se possam fazer a quem se ama" (Eduardo Sá, 2001).

Trabalho com as famílias…

A comunicação, a participação, o darmos a conhecer o que fazemos e não fazemos, o envolvimento e a responsabilização das famílias, é dos objectivos.

As famílias são desafiadas a participar no processo educativo, mantendo - lhes, as portas abertas para que deixem de ser meras espectadoras e possam participar e envolverem-se de forma activa e cooperante.

Avaliamos como…

Teresa Vilhena (2000) defende que "Diz-me como avalias, e dir-te-ei como ensinas e o que os teus alunos conseguem aprender" pois, deveremos abraçar um novo olhar para avaliar que é construído com diferentes olhares, procurando mais certezas e maior objectividade, considerando o percurso da criança e o lugar onde esse percurso se efectua, como se efectua, recorrendo à sociedade em que os actores se inserem.

 

Uma avaliação como modo de aprender, de reflexão sobre a acção e o "modus operandi" dos intervenientes, que reforce a responsabilidade e a participação activa de Todos, e a importância do diálogo, da negociação e da escolha.